Vida saudável estimula produção de cogumelos
Shiitake, shimeji e champignon estão entre os tipos mais consumidos no País
Cogumelos são ricos em vitaminas, fósforo e proteínas, têm baixo índice de gordura e agradam os paladares mais exigentes. Além de conterem fibras que ajudam na digestão, são pouco calóricos, ideais para os que desejam manter a forma. A variedade é grande, mas shiitake, shimeji e champignon são alguns dos tipos mais consumidos. Por essas e outras qualidades, a produção de cogumelos se firma como opção de negócio para empreendedores.
Para investir em um galpão de 500 metros quadrados, com produção mensal de 40 quilos, são necessários R$ 5 mil. O faturamento mensal vai de R$ 500 a R$ 1 mil. A margem de lucro é de 500% sobre o produto, já que o custo da produção é de R$ 6 (o quilo) e os cogumelos podem ser vendidos por até R$ 35 (o quilo). Outra opção é o cultivo de cogumelo do sol, utilizado para fins medicinais, que exige aporte inicial de R$ 18 mil. O faturamento pode chegar a R$ 2 mil.
De acordo com Ricardo Fernandes, proprietário da Shiitake & Shimeji Imperial, de Petrópolis, Rio de Janeiro, o ideal é cultivar o shiitake em ambiente com umidade perto de 90%. As temperaturas têm que ser amenas, entre 10 e 30 graus, em altitude média de 800 metros. O empreendedor, que começou no ramo há 10 anos, afirma que está trabalhando atualmente com quatro tipos: shiitake, shimeji, cardoncello e pleuroto. O carro-chefe é o primeiro. Em época de safra (setembro, outubro e maio) são produzidos 200 quilos semanais de shiitake, ao passo que os outros tipos, juntos, somam 500 quilos, por semana. Na entressafra, a produção de shiitake cai significativamente: 60 quilos mensais.Daí a oscilação dos preços, que vão de R$ 20 a R$ 35, o quilo. "Como o shiitake não é produzido o ano todo, há que se diversificar". O shimeji, cultivado em estufas climatizadas, com temperaturas entre 5 e 15 graus, é uma opção. Na Shiitake & Shimeji Imperial, a produção de shimeji mantém-se em 250 quilos semanais, mesmo na entressafra de shiitake, graças a essa alternância. Os principais compradores são os supermercados, hotéis e restaurantes. Esses últimos costumam pagar melhor. "A demanda existe o ano todo, por isso conseguimos bons lucros", comenta Fernandes.Pode-se optar por duas formas de cultivo De acordo com o produtor de Petrópolis, há duas formas de cultivo: em troncos de árvores e em serragem. No primeiro caso, o eucalipto fornece a madeira ideal, já que os troncos são retos e de fácil manejo. Além disso, o produto pode ser encontrado em grandes quantidades, com preços mais acessíveis do que as castanheiras e carvalhos. Já no cultivo em serragem, os resultados aparecem mais rapidamente. O custo, entretanto, é maior. De acordo com Fernandes, utiliza-se a serragem de eucalipto, acrescentando-se suplementos como farelo de arroz, de trigo e fubá, que oferecem nutrientes aos cogumelos. Essa mistura deve ser colocada em sacos plásticos de polipropileno. Feito isso, a serragem passa por um processo de esterilização, a fim de evitar que os cogumelos sejam contaminados por fungos e bactérias em uma etapa posterior. Daí parte-se para a semeadura, colocando-se cogumelos vivos em cada saquinho. Na produção em toras, a primeira colheita ocorre de seis a oito meses depois da "semeadura". Se for colocado em serragem, a produção ocorre em 60 dias. "Isso porque o cogumelo terá mais nutrientes, com equilíbrio de pH e umidade. É mais viável economicamente", diz o produtor de Petrópolis, explicando que, nos galpões, deve-se borrifar água nos cogumelos duas vezes ao dia.No Verão, a borrifação precisa ser feita mais vezes. O galpão pode ser rústico, feito com madeira e telha de amianto. Nas laterais, sombrite (telas de proteção) e cortinas plásticas, para reduzir a iluminação e a incidência de ventos. Para construir um sistema de aclimatação, que otimiza a produção, gasta-se, em média, mais R$ 500, valor utilizado para a compra de uma bomba d"água e um timer. Fernandes acrescenta que os que pretendem começar no ramo devem procurar suporte. No caso da Shiitake & Shimeji Imperial, contou-se com a colaboração do agrônomo e professor da Universidade de Guangdong (China), Lin Han Guo, bem como do biólogo e especialista em fungicultura da Universidade de Jilin, Li Yu.Quando perguntado sobre a produção do cogumelo mais famoso entre os brasileiros, o champignon, o petropolitano afirma que, no Brasil, o cultivo não vale a pena. "O abastecimento desse tipo é satisfatório, por isso a oferta é muito grande e os preços são baixos. Além disso, a concorrência interna e externa, principalmente da China, é expressiva, sem falar que as margens de lucro são menores", esclarece Fernandes, lembrando que o custo da produção do champignon é o mesmo dos demais, porém o preço do quilo cai para apenas R$ 9.
Cogumelos do sol são usados em medicamentos Não só os exemplares comestíveis dão lucros aos produtores. Em São Paulo, está concentrada a maior parte da produção nacional de cogumelos do sol, usados como matéria-prima em medicamentos fora do País. Os produtores que partem para essa modalidade têm excelentes perspectivas. De acordo com o economista e consultor em agronegócios do Sebrae mineiro, Armírio Duque de Oliveira Neto, exporta-se 90% do que é produzido internamente, já que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Agricultura ainda não têm comprovação científica sobre o uso medicinal da espécie.Os principais compradores são Alemanha, Estados Unidos e Itália, que consomem o cogumelo na forma desidratada, pagando cerca de US$ 330, o quilo. A forma de produção é semelhante a dos comestíveis: a umidade dos galpões deve estar entre 75% e 85% e a temperatura na faixa de 23 a 27 graus. No estado de São Paulo concentra-se 70% da produção brasileira. Depois vêm Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro. Em terras mineiras, são 31 produtores reunidos na Associação dos Produtores de Cogumelo do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha (Aproconova).Para ser consumido no mercado interno, como suplemento alimentar, o produto deve ser transformado em pó e encapsulado (potes de 30 e 50 gramas). O quilo custa R$ 130. Além da forma desidratada, o produto está sendo testado na forma comestível, em conserva, ao alho e óleo. Para que a venda no mercado nacional seja aprovada, o Sebrae/MG tem liderado, junto com cientistas, pesquisas, análises químicas e nutricionais.O começo de uma produção requer a construção de estufas climatizadas, de 50 metros quadrados, cada. O custo é de R$ 18 mil. O valor inclui ainda a aquisição de máquinas para lavar, de selagem e embalagem, além de uma desidratadora e 5 toneladas do composto - que dura 4 meses - usado para "semear" as estufas. "Isso vai gerar uma produção de 15 quilos por mês. Mas para os produtores atenderem os compradores externos, é preciso colocar mensalmente no mercado, pelo menos 700 quilos", explica Oliveira Neto, afirmando que uma das funções do Sebrae/MG é prestar assessoria técnica aos produtores da Aproconova.
ServiçoAproconova, 0xx31-3221-1339Sebrae/MG, 0xx-31-3269-0180
Shiitake & Shimeji Imperial, 0xx24-2291-5682
Produção de shiitake, shimeji e cardoncello (uso culinário)
Investimento inicial: R$ 5 mil (construção de um galpão simples)
Faturamento médio mensal: de R$ 500 a R$ 1 mil
Produção mensal: 30 a 40 quilos
Custo da produção: R$ 6 por quilo
Margem de lucro: 500% sobre o produto
Área: 500 metros quadrados
Número de funcionários: 4 por galpão
Risco: baixo, devido ao valor acessível do investimento e à demanda constante.
Produção de cogumelos do sol (complemento alimentar e exportação) Investimento inicial: R$ 18 mil (construção de estufa climatizada)
Faturamento médio mensal: R$ 2 mil (o quilo custa R$ 130 no Brasil e US$ 330 no exterior)
Produção mensal: 15 quilos
Área: a partir de 50 metros quadrados
Número de funcionários: 4 por estufaRisco: médio, devido ao fato de que a venda do produto, na forma comestível, ainda não é aprovada pelo Ministério da Agricultura
Jornal do Comercio - 28/3/2006
